27 novembro 2004

Brasil - minha terrinha

Chegamos ontem a Sao Paulo...hoje está fazendo 31º! Nada mal para quem saiu de uma temperatura de -20, né, minha gente? Finalmente vamos poder udar camiseta, botar os dedinhos de fora numa sandália e tomar um chopinho gelado na calçada. Parece que os pquenos prazeres tornam-se ainda mais satisfatórios quando a gente fica longe deles!

No café da manha de hoje comemos mamao papaya e pao de queijo...foi o máximo poder acordar e ouvir a voz da minha mae e o "chorinho" da minha cachorrinha Sabina! Como disse, pequenos prazeres que satisfazem!

Brasil.....

22 novembro 2004

Tempo, tempo, tempo, tempo...

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Foto da minha rua nevada

A neve continua caindo lá fora, a lareira continua acesa e o frio aumentando cada vez mais. Nesta época do ano as pessoas começam a se perguntar coisas como “quantos graus fez na noite passada na sua região?” ou “ você ouviu na previsão do tempo quantos centímetros de neve vai cair hoje?

Pois é, tudo gira em torno do tempo, aliás, não precisa ser inverno, novembro, para que as coisas aqui na Suécia sejam relacionadas com o tempo. No Brasil, como a gente sabe, quando chega fevereiro, o povo espera pelo Carnaval, por estas bandas, na mesma época, a gente espera pela primavera, pelo derretimento da neve e aparecimento das flores!

Voltando ao inverno, apesar de ter seu charme, ainda não é a minha estação do ano favorita. Quando a gente mora em casa é difícil deixar as coisas em ordem do lado de fora. Precisamos sempre tirar a neve do caminho com uma espécie de”pá gigante”, ou para os mais afortunados, com uma máquina especial que remove os floquinhos. Para dizer a verdade, esse lance de tirar a neve do caminho, até que me diverte. Acabo transformando o trabalho em brincadeira.

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Meu jardim...

Outra coisa que eu adoro é correr na neve fofinha no jardim e sentir que os pés se afundam na superfície, deixando grandes pegadas. São experiências novas, geladas e interessantes! Mas nem tão interessantes assim, mas igualmente gelados, são os inconvenientes de ter que “escovar” os vidros do carro toda vez que vamos sair, pois eles ficam embaçados e cobertos de neve, e ter que sentar-se nos bancos gelados do veículo até que aquecedor comece a funcionar!

E quando chega dezembro é hora de começar a fazer os bonecos de neve! Infelizmente ainda não tive o prazer de fazer nenhum, pois mesmo usando luvas, acabo com as mãos congeladas!
Tenho a imprensão de que será mais um inverno sem investimento de tempo nos bonecos, pois na quinta-feira viajaremos para o Brasil!!! Sinto-me ansiosa só em pensar que ainda nesta semana vou rever algumas das pessoas das quais sinto sempre saudades! Que maravilha!

Será a primeira vez que o Jonas vai passar o Natal fora de casa, sem ter a neve ao redor, sem ser o Papai Noel oficial da família e sem as outras trocentas tradições suecas dessa época do ano. Em compensação, apesar de muitos por aqui acharem que o povo brasileiro não tem muitas tradições e não comemora de maneira tão intensa a época natalina, espero que o Jonas se divirta e veja que o “Natal brasileiro”, sem neve, também é bonito e emociona!

P.S.: não vejo a hora de poder comer Panetonne!!!

18 novembro 2004

A neve chegou com força total

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Foto: Göran Widerberg

A previsão do tempo de ontem à noite aqui na Suécia mostrava que a neve estava a caminho e que seria aconselhável já trocar os pneus de verão, pelos de inverno. Pois é, aqui quando chega novembro é hora de fazer essa troca de pneus porue com a queda de temperatura – entenda-se a chegada do termômetro a 0ºgraus ou graus negativos – as estradas ficam escorregadias e perigosas para os carros que ainda estão com os pneus de verão.

Quando ouvi a previsão, aliás, super confiável, não pensei que a neve chegaria com tanta força quanto chegou. Hoje de manhã quando acordei, dei de cara com um país coberto de branco, sendo que ontem foi um dia ensolarado, com temperatura na faixa dos -6. Ao olhar pela janela, vi que o nosso carro estava com a traseira na garagem e o resto na rua! Não entendi nada e liguei para o Jonas, meu marido, para perguntar. Ele disse que quando tentou sair, ficou atolado na neve e não conseguia ir nem para frente, nem para trás. Ele comentou ainda que havia vários carros abandonados pelo caminho por conta da neve.

Bom, lembram-se que eu comentei sobre os pneus de inverno no começo do texto? Pois é, o Jonas iria fazer a troca hoje, só que no caminho para o local onde a troca seria feita, o carro deslizou, perdeu o controle e ficou posicionado entre a estrada e um vão perto da calçada. A sorte foi que no mesmo momento alguns colegas de trabalho dele estavam passando por lá e conseguiram ajudá-lo com o carro. Situações como essa podem ser facilmente vistas quando a neve mostra a sua fúria por essas bandas do mundo.

Queria ter publicado este post antes, mas, também em razão da neve, tivemos uma super ventania de manhã, faltou luz e não tive como usar o computador.
Também estou com problemas para “acessar” o jardim e pegar lenha para a lareira, já que o nosso jardim mais parece estar coberto de chantilly!

Tragédias à parte, para quem gosta de frio e paisagem de cartal de Natal, é só começar a se divertir no inverno sueco!

12 novembro 2004

Música, música, música

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Wagner Tiso, Beto Guedes e Milton Nascimento

Estava dando uma olhada nos meus CDS e descobri que preciso comprar coisas novas e ouvir coisas que faz um tempão que não ouco! Música é realmente alimento para alma e espírito,né? É ótimo poder relaxar ao som daquele cantor que a gente adora e poder dancar prá caramba com aquele outro que a gente não consegue para de ouvir. Tenho um gosto muito pessoal, sou bastante eclética, mas é claro que também tem estilos que não me fazem a cabeca!

Acredito que comecei a criar a minha bagagem musical quando ainda era adolescente, nos anos 90.Acho que tive boas influências musicais naqueles tempos e, por incrível que pareca, ainda preservo essas raízes. Quando entrei na faculdade, comecei a ouvir piadinhas dos amigos por conta do meu gosto musical "antiquado" para os meus 20 poucos anos...

Sempre gostei muito de um cantor chamado Beto Guedes, um mineiro super inspirado que fez muito a minha cabeca. Fui apresentada às músicas dele por um amigo que tinha uns 30 e poucos anos na época e desde então, passei a ouví-lo com frequência e ir aos raríssimos shows que ele costuma fazer. Boca Livre, Lô Borges, Flávio Venturini, 14 Bis, Zé Geraldo, Milton Nascimento...foram alguns dos cantores e compositores que me inspiraram em alguns bons momentos da minha vida.

Como disse anteriormente, tenho um gosto musical bastante eclético, ultimamente, voltei a ouvir os caras do US3 (lembram de Cantaloop Flip Fantasia?), tenho ouvido muito o primeiro CD da Norrah Jones(Come away with me) e estou louca para comprar o segundo. Ed Motta e seu "Manual prático para festas, bailes e afins", também tem marcado presenca aqui em casa. Já que estou na Suécia, tenho aproveitado para aprofundar o meu conhecimento sobre a música sueca cantada em sueco...adoro um cantor chamado Peter Jöback e um outro chamado Lars Wineberg. Falando em cantores suecos, é incrível como o ABBA ainda é lenda viva por essas terras...aliás, Agnetha Fältskog lancou faz pouco tempo um CD solo.

A música é mesmo uma ferramenta poderosa contra o mau humor, baixo astral e vontade de fugir do mundo que às vezes batem à nossa porta, não acham? Sendo assim...let´s dance!



02 novembro 2004

Så som i himmelen

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Na semana passada fui ver um filme que achei ótimo e gostaria de recomendar. Um filme sueco chamado “Så som i himmelen” ( Assim como no céu), do diretor Kay Pollak, que descreve a trajetória do famoso maestro Daniel Daréus (Michael Niqvist) que por causa de uma doença grave, decide deixar a carreira e sonha em voltar ao pequeno povoado aonde nasceu e passou a infância, em Norrland, norte da Suécia. Gostaria de comentar algumas pasagens que me fizeram rir, chorar e achar que o cinema sueco vale muito a pena!

Foi um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos! Espero que vocês aí no Brasil também tenham a oportunidade de vê-lo. O filme tornou-se ainda mais interessante para mim porque assim como o personagem principal, sinto saudades da minha terra, de lugares que conheci quando ainda era criança e que estão longe de mim agora.

Tem uma cena em que, após mais de 25 anos longe da Suécia, ele volta ao seu pequeno povoado, durante o inverno, e decide que vai morar na escola aonde ele estudou na infância. Após deixar as malas no local e tentar se sentir em casa, num ambiente gelado, com apenas algumas cadeiras e nada mais, ele vê a neve cair, decide sair e provar novamente a sensacão da neve gelada batendo em seu rosto.

É um momento em que ele se sente em paz, feliz por experimentar novamente o sabor da neve. Como viveu muito tempo fora, parece que os hábitos dos suecos, como por exemplo fazer pausa para cafezinho o tempo todo, comecam a irritá-lo. Parece que ele, inicialmente, tem dificuldades em aceitar tracos da sua própria cultura.

Aos poucos ele comeca a encontrar amigos de infância, conhecer novas pessoas no vilarejo e se envolver com as atividades locais. Ele acaba descobrindo que existe um coral na vizinhanca que se reúne sempre para treinar músicas que serão cantadas nos cultos da igreja da cidade, através de um dos vizinhos que o convida para treinar o coral. Num primeiro momento ele revela total desinteresse, mas depois de um tempo, ele aceita o convite e o filme deslancha.

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Ele vira uma espécie de “herói” no povoado e tem a chance de entrar mais e mais na vida dos habitantes do local. O gosto pela música faz com que pessoas e histórias se encontrem e acontecimentos comecem a transformar a vida de todos. O coral reúne pessoas de todos os tipos: um cara que adora fazer piadinhas sobre a vida alheia, uma beata que começa a mostrar interesse pelo maestro, uma mulher vítima da violência doméstica ( interpretada pela cantora sueca Helen Sjöholm), um garoto autista que descobre seu talento musical, a mulher de um pastor que acaba se “descobrindo”, uma garota que se apaixona pelo maestro e faz com ele, mesmo sem saber, se apaixone pela primeira vez na vida.

Så som i hemmelen é uma boa surpresa do cinema sueco, que foge do estereótipo sisudo de Ingmar Bergman e faz o público rir, chorar e voltar para casa pensando na história!



25 outubro 2004

Prazeres e desgostos do outono

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O outono já está por aqui deixando a vegetaÇão com uma cor meio amarela, meio alaranjada, meio avermelhada, entenderam? Pois é, quando chega essa época, as árvores vão perdendo o verde e ganhando uma tonalidade meio indecisa, porém bonita.

Os casacos de frio que estavam repousando nos armários já podem ser vistos novamente nas ruas e os cafés da cidade já comeÇam a se transformar nos mais aconchegantes pontos de encontro. É difícil gostar do outono quando se pensa no clima, na garoa fina, no céu cinzento, mas a estaÇão também tem seus encantos. Acho que estou aprendendo a ver que é possível gostar do outono sueco!

Ultimamente tenho me sentido meio em fase de transicão, assim como as estacões do ano. No Brasil, parece que a gente preserva o clima de festa o ano inteiro, é mais fácil se sentir com um jeito "verão" de ser. Aqui na Suécia, Quando a primavera chega, é tempo de esperar a neve derreter, fazer contagem regressiva para esperar o verão e planejar viajens, plantio de flores e verduras no jardim, e se recuperar do inverno gelado que acabou de dar adeus.

Parece que o humor das pessoas é regulado pelo tempo, pela estaÇão do ano. Quando a o verão chega por aqui, é tempo de nadar nos lagos, fazer churrasco no jardim, tomar muito sorvete, fazer atividades fora de casa. É raro encontrar filmes bons por aqui no verão, pois ninguém que se trancafiar num cinema. Mesmo que seja em nome de um bom filme!

Mas como estou no outono, vamos falar mais dele. Para nós brasileiros,o outono sueco pode ser considerado como inverno pois a temperatura não é superior a 10ºgraus! Quando dezembro chega, é tempo de se preparar para receber a neve, que já está dando o ar da graca em algumas regiões mais geladas do país. A Suécia fica toda branquinha, geladíssima e as casas investem em luzes na decoraÇão para dar a impressão de calor.

Para quem gosta de esportes de inverno, dezembro, janeiro e fevereiro são os meses em que os suecos se preparam para andar de ski, patinar no gelo,
ficar de olho nos jogos de Hockey e convidar os amigos para um lanche no final de tarde.

No ano passado ganhei um par de patins e resolvi provar a sensacão de patinar no gelo...bom, como não sou boa nem em patinaÇão "normal", com patins de rodinhas, nem preciso dizer que levei muito tombo, né? Mas foi divertido e ainda não desisti de tentar! Não é fácil...parece que o pessoal aqui já nasce com rodinhas nos pés! As crianÇas são experts no esporte!

Infelizmente a queda de temperatura e a escuridão que vai se apossando da Escandinavia durante esses meses, traz também a depressão sazonal, ou seja, algumas pessoas ficam tristes, mal humoradas e meio sem perspectivas em razão do mal tempo. O aumento do número de súicídios também é um fator preocupante.

Pois é, a vida não é fácil em nenhuma parte do mundo, mas a gente segue em frente e tenta preservar o humor, alegria e persistência. Sentimentos indispensáveis em todas as estaÇões do ano!

17 outubro 2004

Saborosas pequenas surpresas

Ás vezes os encontros que a vida nos proporciona com certas pessoas são ótimos para seguir em frente acreditando em dias e momentos melhores. Fico super contente quando tenho a oportunidade de me encontrar com brasileiros por aqui. A gente se sente um pouqinho na própria terra, mesmo estando à milhas de distância dela. Mas é bom também se sentir em casa quando a gente encontra pessoas com quem descobre afinidades, mesmo que a pessoa não seja da nossa terra, não tenha a mesma cultura e nem mesmo seja do mesmo continente. Esse mundo é mesmo cheio de surpresas!

Na sexta-feira fui visitar uma amiga do Irã, uma pessoa que comecei a ter contato quando entrei no SFI, primeira escola de idiomas na qual estudei aqui na Suécia. Fazia algum tempo que não nos encontrávamos, pois nossas vidas tormaram rumos diferentes e não estudamos mais juntas.

Foi bom poder colocar o papo em dia e provar mais uma vez um saboroso prato da culinária iraniana. Quando vou até a casa dela costumamos ouvir música, relembrar os tempos do SFI, trocar experiências culturais, discutir o nosso dia-a-dia na Suécia, emfim, somos boas amigas. Acho bom poder deixar os olhos e ouvidos sempre abertos para encontrar e poder ouvir pessoas interessantes que passam pelo meu caminho.

No sábado foi a vez de eu e o Jonas encontrarmos uma amiga, brasileira, que faria aniversário. Chegando lá encontramos uma outra brasileira e foi super divertido poder falar somente em português com as duas e brincar com o bebezinho da minha amiga.

Parece que finalmente cheguei num ponto em que as coisas simples da vida precisam ser valorizadas. Pequenos momentos e pequenos prazeres precisam ser apreciados. A gente sempre fica à espera de grandes acontecimentos e esquece que o cotidiano também oferece pequenas e saborosas surpresas. É só ficar de olho!