22 março 2005

O jornalismo bate à porta

Ele tinha me abandonado, ou melhor, pensei que tinha. Mas de repente,ele voltou, me pegou de surpresa e entrou na minha vida de novo: ele, o jornalismo.
Pois é, na semana passada tive a minha primeira chance no jornalismo sueco.

Após tentar conseguir alguma oportunidade em vários meios de comunicacão suecos e não ter dado certo, agora, finalmente, a minha chance chegou. Vocês não imaginam o quanto estou feliz e realizada. Na verdade consegui a chance de estagiar num jornal da cidade por um curto prazo, o que para mim já é um passo bem grande.

Quando decidi que me mudaria para cá e deixaria o meu trabalho em São Paulo,aceitei, mas fiquei meio triste. Afinal de contas, quando a gente decidi se dedicar a uma profissão, tem que ser prá valer.

Sim, estou escrevendo para eles em sueco, claro. Uma língua difícil, mas ao mesmo tempo, desafiadora para mim. Depois de 1 ano e dois meses morando aqui no freezer, já consigo me comunicar bem, escrever bem, ainda com algumas limitacões, mas sinto que fica melhor e melhor. No jornal da semana passada escrevi dois artigos: um sobre moda na América Latina e o outro sobre uma mulher que ganhou um prêmio pelo sucesso de sua microempresa. O meu editor aprovou e mandou publicar.

Tudo é difícil nessa vida, mas a gente não pode deixar a bola cair. Tem que seguir em frente e acreditar nos sonhos. Ou melhor, trabalhar duro para que eles se concretizem. Não sei até quando vou escrever para eles, mas já fico contente por poder já ter escrito. Como já ouvi dizer: "devagar se vai ao longe".
Boa semana prá vocês!

15 março 2005

Do it yourself

Será que o continente europeu inteiro que é assim, na base do faça você mesmo? Pelo menos aqui na Suécia, sim. Se vc achou que era possível contar com uma empregada doméstica, diarista, mensalista, quem sabe uma babysiter, em casa? Não, esses profissionais simplesmente não existem por essas bandas, e se existem, é luxo para poucos.

Aqui na Suécia o negócio é fazer você mesmo. Mas, diferentemente dos países sulamericanos, onde a grande maioria dos homens não se dedica muito às atividades do lar ( me avisem se a coisa tiver mudado), aqui os homens ajudam, e muito, na divisão do trabalho doméstico. Eles são super dedicados. Desde criança têem aula de culinária e corte e costura na escola. São rapazes prendados, que fazem desde um simples e saboroso milkshake ( esse exemplo acabou de surgir por conta do milkshake que o meu marido acabou de deixar aqui na mesa para mim, sem saber que eu escrevia um post sobre isso. Que docinho!) até deliciosos jantares, pãezinho, enfim.

Essa dedicação masculina pode ser percebida também em atividades como tomar conta dos pequenos. Sempre dou de cara com vários papais empurrando o carrinho de bebê dos seus filhos. Às vezes, na companhia de outros homens. Os pais combinam algum programa com outros pais e saem para se divertir com suas crianças. Um luxo!

Mas voltando ao tal do “do it yourself”, acho meio chato o lance de ter que fazer o meu próprio chá ou chocolate quente em alguns restaurantes e cafés. É isso mesmo, tem alguns lugares em que você paga o que vai consumir no caixa e depois chega numa espécie de “mini cozinha” , esquenta a água do seu chá e prepara você mesmo.

Bom, também tenho que assumir que não gosto de, após almoçar no restaurante da universidade aonde estudo, ter que pegar uma fila, levar o prato até a cozinha, limpá-lo e colocá-lo no lugar certo para ser lavado. Não sou esnobe, apenas não estava acostumada com esse sistema. Pensando duas vezes, talvez não seja tão terrível assim, mas é necessário se acostumar com as diferenças. Como vocês sabem, o Brasil é um país recheado de pequenos serviços que facilitam a nossa vida. Mas é claro que não dá para esquecer que em nome do conforto e das facilidades que alguns têm acesso, tem sempre alguém trabalhando muito e ganhando pouco!

Contratar pintores, marcineiros, carpinteiros, eletricistas e outros profissionais do tipo, também não é para muitos, pois custa uma nota. Aliás, de um modo geral, o custo de vida é muito alto! O melhor é contar com a ajuda daquele amigo “pau para toda obra”.

Ah, só para encerrar, lembrei-me de quando vim passar férias aqui pela primeira vez. Perguntei ao Jonas, num sábado à noite, se poderíamos pedir uma pizza....ele riu muito na minha cara e disse que não seria possível, que se quiséssemos mesmo a tal da pizza, teríamos que ir até a cidade e buscá-la: “ Claudia, sem essa de motoboy, älskling”, repondeu ironicamente.
É, se quiser encomendar serviços através de motoboys, o melhor é morar em Estocolmo, e mesmo assim, se achar uma pizzaria que tenha motoboys, prepare-se para desembolsar uma gorjeta que pode ser mais alta que o custo da própria pizza!

Senhores brasileiros no exterior, comentem o post! Quero saber como é no país em que vivem!

06 março 2005

Pátria e princípios

Será que o comportamento das pessoas muda quando elas passam a morar em outras terras? Depois de quanto tempo incorporamos, no meu caso, o “jeito sueco” de ser? Na verdade, gostaria de discutir se é positivo ou não, necessário ou não, incorporar os hábitos de outros povos só porque você passou a viver em outro país.

Há características boas e ruins nisso tudo. Mas será que até as características ruins, que não devem ser absorvidas acabam se inpondo e a gente aceita? Bom, acho interessante copiar o que é saudável, bom e verdadeiro, mas às vezes acho que algumas pessoas acabam, talvez não por vontade própria, mas por conta de certas influências, sendo tomadas pela parte ruim da aculturação.

Experiências pesoais e de amigos mostram que algumas pessoas invertem seus valores, tratam com desrespeito e preconceito os seus compatriotas após terem vivido anos e anos fora do Brasil. Lembrem-se é apenas o que eu vivenciei e o que já me contaram. Na verdade, a eventual falta de caráter e tato no trato com as pessoas, deve ter mais a ver com a personalidade do indivíduo, sendo ele brasileiro ou panamenho, do que com o meio aonde se vive. Fica aí uma sugestão de pensamento!

De um modo geral, quando se vive em outro país, é possível provar coisas novas, fazer uma vida diferente, ousar, enfim, as portas se abrem para as boas e más ações e mudanças.
Falando nisso, outro dia encontrei uma colega de escola, que estudou no mesmo curso de sueco que eu logo quando vim morar aqui. Ela é muçulmana e vem do Afeganistão.

Na Suécia tem gente de todo canto, principalmente pessoas que vem de países em guerra e de maioria muçulmana. Bom, na época do curso ela usava o “véu muçulmano”, característico da religião, mas que dependendo da educação, da cultura, do marido e outros fatores, nem todas as mulheres muçulmanas usam. Não vou me aprofundar muito no tema, senão vira assunto para outro post.

Essa garota, que vou chamar de Sara, sempre usou o véu. Outro dia, após mais de uns seis meses sem contato, nos encontramos no corredor da universidade e eu quase não a reconheci: estava sem o véu. Mostrava o cabelo, estava maquiada e usando roupas modernas e coloridas. Estava bonita e doce como sempre, mas visivelmente mais feliz. Aposto que ela sempre quis que os outros a vissem assim! Se a atitude dela é vista como certa ou errada no mundo muçulmano, não vou entrar no mérito, mas foi primeira vez que a vi relmente com um brilho extra no olhar.

Uma nova terra pode mudar alguém, pode transformar. Mas é bom ficar sempre de olho no que é bom preservar, no que carregamos toda a vida e aprendemos que é certo e deve ser guardado. Tem princípios que a nossa alma pede para serem seguidos, por questão de cultura, educação, wherever. É bom obedecer esse sinal que vem da alma, se ele indicar coisas boas e produtivas, é claro!

26 fevereiro 2005

C´est la vie

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Foto: Jonas Ekström

Pois é, faz um tempo que não apareço por aqui, confesso que fico chaetada por não ter tido tempo de atualizar o blog. Estou numa correria ultimamente, tentando me equilibrar entre os cursos de sueco e francês. Isso mesmo, francês! Pela primeira vez na vida vou estudar uma língua por prazer e não por que tenho a obrigação de aprender, como o inglês e o sueco. Sempre gostei de francês, mas nunca tive tempo em me dedicar ao aprendizado do idioma. Bom, vamos ver no que vai dar!

Para quem fala uma língua latina, como o português, pensa que na hora de aprender outras línguas latinas, como o espanhol, italiano, francês, vai sentir que existem facilidades, e que não serão necessários grandes esforços, certo? Mais ou menos. A coisa não é tão simples quanto parece. É verdade que muitas palavras são parecidas com o português, o que torna mais fácil a compreensão de alguns textos. Mas a escrita e a pronúncia são de deixar qualquer um irritado!

Os franceses usam muito apóstrofo nas palavras, uma das características da língua que me faz perder a paciência. Palavras como n´est ce – pas, s´il vous plaît, je m ´appelle, e tantas outras no mesmo estilo, podem gerar uma certa confusão.
Quanto à pronúncia, é necessário “decorar” ou aprender como os finais das palavras devem ser pronunciados. Por exemplo: mousieur ( que se torna “messiê”), chapeau ( chapô), seulement (sôlemã), enfim.

Bom, acho que o meu interesse pela língua francesa ficou ainda mais acentuado depois de uma viagem à Paris, no ano passado. Linda, elegante, civilizada, cultural, enfim, uma cidade fantástica, com um idioma que me encanta os ouvidos.
Na verdade, as duas únicas coisas que me chatearam na minha estadia na Belle Epoque foi o fato de eu ter quebrado um dente na primeira noite em Paris por conta de uma pedrinha que eu encontrei no meu bife ( mas isso é assunto para outro post ;-)) e o fato de os franceses não saberem ou se recusarem a falar inglês. Eu sei que a razão de tudo isso está no passado histórico da França, mas, de qualquer forma, os turistas que não falam francês sentem-se meio prejudicados.

Sempre que precisei de alguma informação e tentei consegui-la em inglês, tive que me contentar com um francês falado pausadamente e mais alto - meio pelo qual eles acham que é possível compreender a língua -. Para não dizer que foi assim o tempo todo, consegui me comunicar em inglês com dois funcionários do hotel.

De qualquer maneira a viagem foi maravilhosa e com certeza me deixou encantada o suficiente para voltar à Paris e às outras cidades francesas. Só que da próxima vez espero estar craque no idioma ou pelo menos conseguir usar algumas frases básicas nas situações do dia-a-dia! Au revoir!

16 fevereiro 2005

Dia dos namorados

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No dia 14 de fevereiro foi dia dos namorados por aqui. Assim como nos Estados Unidos, alguns países da Europa também tem o seu Valentine´s Day nessa data.
Na verdade, eu não somente comemoro o Dia dos namorados como também o meu aniversário de casamento! Isso mesmo, no ano passado Jonas e eu nos casamos no dia 14 de fevereiro.

Lembro-me que fez um dia gelado, porém lindo, com muita neve e céu azul. O tempo passa rápido, parece que foi ontem. Acho que essa sensacão do "parece que foi ontem" é super positiva, significa que quanto mais o tempo passa o sentimento se fortalece e se recicla. Afinal, o amor tem várias fases, né?

Dia dos namorados é todo dia, certo? Todo dia é dia de amor e de amar! Piegas, porém romântico ;-)

09 fevereiro 2005

Grandes decisões

As grandes decisões estão aí para serem tomadas, não é mesmo? Às vezes é penoso, machuca, incomoda, mas também pode aliviar.
Tomar grandes decisões é crescer, amadurecer e se responsabilizar por consequências.
É difícil ter que tomar decisões o tempo todo, mas é importante e necessário tomá-las.

Quando percebi que teria que deixar o meu país e morar na Suécia, me senti gelada, sem chão e, ao mesmo tempo, esperançosa, otimista. Afinal, sempre achei que mais vale a pena acreditar que vai dar certo e talvez quebrar a cara do que se arrepender a vida inteira de não ter tido coragem de tentar.

Eu tentei, estou aqui, não é fácil, mas não desisti de acreditar que tudo vale a pena. Às vezes tenho a sensação de que a minha coragem de encarar o mundo é perigosa, incontrolável, mas prefiro apostar que coragem demais é sempre melhor do que medo ou insegurança em demasia.

A influência das nossas decisões é, às vezes, para a vida inteira. Mudando para a Suécia, perdi a possibilidade de exercer a atividade que mais me dava prazer: atuar no jornalismo. Sempre soube que queria ser jornalista, desde criança. Tem certezas que a gente adquire, segura e carrega no coração. Sempre me vi nessa profissão, sempre fui feliz sendo jornalista.

Numa da férias que passei aqui consegui convencer a minha chefe, na ocasião, de que seria perfeitamente possível realizar as reportagens, escrever as matérias e enviar para a revista que eu trabalhava em São Paulo. Deu tudo certo, mas eles realmente precisavam de um repórter e assessor de imprensa que de dedicasse 100% ao trabalho e morasse na cidade. Naquela época, tomada por importantes decisões, resolvi que o melhor seria deixar o emprego e investir na minha vida afetiva, já que seria difícil me dedicar aos dois ao mesmo tempo.

Trabalhar como jornalista na Suécia, no começo, foi uma possibilidade que eu encarei como real. Mas não agora. Por conta de um curso que fiz, acabei fazendo contatos com jornalistas da mídia sueca, passei um dia no maior jornal aqui de Västerås, às vezes mando textos, em sueco, para um jornalista e recebo corrigidos e comentados, mas não acho possível me “instalar” na mídia sueca. Além de escrever num sueco perfeito, é necessário saber como tratar dos assuntos na sociedade sueca de maneira “ sueca”, quero dizer, é necessário conhecimento aprofundado nos diversos universos da sociedade sueca, anos de Suécia na bagagem. Quem sabe um dia!

Morar na Suécia me fez também abrir mão de estar perto da minha família, da minha cachorrinha Sabina, dos meus amigos, das pessoas e situacões que eu conheço e estou acostumada.
Muitas vezes tenho a sensação de que seria necessário participar de um curso intensivo sobre o “jeito sueco de ser”.


Mas voltando ao assunto “decisões”, quando a gente decidi mudar de cidade, de país, atingimos também outras vidas. É estranho pensar que não terei filhos brasileiros, mas suecos. É estranho pensar que a minha mãe não vai estar por aqui para ver a minha barriga crescer e crescer quando eu decidir engravidar, é estranho e às vezes, assustador, descobrir-me sem laços de sangue com nenhuma pessoa daqui.

Ao mesmo tempo que as grandes decisões mostram-se pesadas, é maravilhoso pensar que conseguimos tomá-las. Não seria possível viver de maneira intensa esse momento da minha vida, que me oferece também novas possibilidades e muito amor, se eu não tivésse aberto mão da minha confortável vida paulistana.

Decidir pelo “melhor” nem sempre é possível e claro, mas o exercício de decidir fortalece e impulsiona as nossas capacidades. Somos sempre capazes de grandes feitos através das decisões que tomamos!

14 janeiro 2005

A beleza de Fortaleza

No passado estivemos em Morro de São Paulo e Salvador, na Bahia, este ano foi a vez de conhecer Fortaleza!
Passamos uma semana na cidade e tivemos a oportunidade de conhecer muitas praias, pontos turísticos, provar da culinária cearense, enfim, foi uma estadia bastante agradável.

O nosso guia turístico, Denis, era uma verdadeira enciclopédia viva, o que tornou a visita aos pontos históricos de Fortaleza ainda mais interessante. Os ônibus saiam do hotel com destino às praias todos os dias, às 7h00, fazendo com que nós tivéssemos que acordar bem cedo, tomar um café reforçado, com direito à muita tapioca.
Os passeios em Fortaleza foram agradabilíssimos...

Confiram algumas fotos!
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Praia de Morro Branco

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Praia de Canoa Quebrada