No meio de tantos aconetecimentos mundiais, um novo papa e outras mil coisas acontecendo, resolvi falar de sonho. Essa coisa de ter sonho, é algo que todo mundo tem, não é? É melhor dizer sonho ou objetivo? O que fica mais concreto?
Na verdade acho que quando a gente tem um sonho, guarda ele em algum lugar e às vezes pensa nele, mas não faz nada para que ele se torne real, é sonho mesmo. Mas quando você tem um sonho, o transforma em desejo e luta para transformá-lo em realidade, torna-se um objetivo, uma meta.
Andei pensando em quantas pessoas eu conheco e quantas já me contaram sobre seu sonhos ou objetivos…não que eu tenha chegado a alguma conclusão esplêndida, só pensei no assunto e percebi que as pessoas têm muito medo de correr atrás das coisas, de ousar, de quebrar a cara, de cair e levantar, de lutar. Tem muita coisa que as pessoas sonham, mas acham que é impossível, que não vai dar certo. Não pode!
Outro dia estava lendo alguns posts antigos e descobri que muitas vezes disse que seria ótimo conseguir uma oportunidade como jornalista aqui na Suécia, mas que seria muito difícil ou quase impossível, por muitos motivos. Na verdade, sempre que alguém por aqui me perguntava sobre os meus objetivos nessa nova terra, sendo essas pessoas, brasileiras, suecas ou de outras nacionalidades, eu respondia que ainda sonhava em exercer a minha profissão aqui, mas que seria necessário muito trabalho, muita paciência e que seria muito difícil.
As pessoas quase sempre concordavam comigo sobre o quesito dificuldade, acrescentando que seria melhor que eu me dedicasse à uma outra atividade e esquecesse de vez o jornalismo aqui na Suécia, seria impossível. Pensando melhor agora, me recordo que duas pessoas fugiram à essa regra, uma amiga da Malasya e uma professora de sueco que eu tive quando comecei a estudar a língua, há um ano e quatro meses atrás.
Eu sempre fui muito obstinada e sempre achei que coragem demais pode trazer sucesso ou fracasso na mesma medida, mas sou do tipo que se arrisca mesmo. Fazer o que, tem coisas que a gente tem que carregar, né? Como diria Caetano Veloso: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
Com isso tudo quero dizer que acho importante jamais jogar areia nos sonhos de alguém, mesmo que você não acredite na forca deles. Não acho que os sonhos das pessoas precisam ser julgados por outras pessoas, que às vezes, nem tiveram a oportunidade de te conhecer direito, não sabem da sua forca interior, da sua competência, e querem transformar as suas vontades em coisas impossíveis.
Não sei se depois que o meu estágio acabar vou conseguir novas chances na mídia sueca, mas posso dizer que até agora, já valeu à pena ter acreditado em mim mesma, ter ido atrás do meu sonho. Se ao comentarem sobre os seus sonhos com alguém e for desencorajado, aceite o comentário da pessoa, concorde até, mas não deixe esse comentário contaminar as suas vontades e aquela voz interior que diz: vá em frente, você consegue!
25 abril 2005
07 abril 2005
A mídia sueca e os estrangeiros
Depois de alguns dias sem aparecer, cá estou eu novamente! Pois é, como contei no último post, comecei a estagiar no jornal Västerås Tidning e estou achando super interessante! Está me fazendo super bem essa volta ao jornalismo e estréia na mídia sueca. É estranho e ao mesmo tempo curioso trabalhar com os suecos. É uma experiência enriquecedora e que toca novamente na questão da tolerância e aceitacão das diferenças entre os indivíduos.
Comos já comentei por aqui, é a primeira vez na vida que estudo com pessoas do Japão, Irã, Iraque, Afeganistão, Sri Lanka, Espanha, Panamá, Burundi, Congo, China, Ucrânia, Estados Unidos, enfim, pessoas de vários países e várias culturas. E agora é também a primeira vez que trabalho só com suecos. Estou curtindo muito tudo isso!
Sobre os artigos, até agora já foram publicados quatro e na próxima semana, mais dois serão publicados. Já escrevi sobre moda na América Latina, mercado de trabalho, um prêmio que seria dado à uma microempresária, diferenças culturais, os maremotos na Ásia e sobre o Orkut.
Sem querer ( querendo), parece que comecei a abrir mais espaço aos estrangeiros que vivem aqui, no jornal. No artigo sobre diferenças culturais, entrevistei alguns estudantes estrangeiros e uma professora sueca que dá aula de sueco. A minha intençao era abordar as dificuldades que os estrangeiros enfrentam quando resolvem morar num outro país, as possibilidades, as saudades, a visão que eles têm da sociedade sueca, dentre outros tópicos. Ao mesmo tempo, queria também contar com a análise de um sueco sobre o assunto.
Fiquei contente com o resultado do artigo e também recebi um bom feedback dos entrevistados. Na segunda passada, sem que eu soubesse, a professora imprimiu o texto que saiu no jornal e distribui a todos os alunos, abrindo espaço na aula para que a questão fosse aprofundada.
Segundo a maioria dos entrevistados, um dos grandes problemas que influenciam na aproximação entre suecos e estrangeiros, é o fato de os suecos serem vistos como tímidos e frios. A sueca entrevistada disse concordar com essa afirmacão.
As mulheres estrageiras que vêem de terras como o Irã, por exemplo, valorizam o fato de a Suécia ser um país que trata homens e mulheres com igualdade e oferece boas possiblidades para a educação de seus filhos.
Aproximar suecos de estrangeiros e vice-versa, às vezes não é nada fácil, mas também não é uma missão impossível. Como disse um dos entrevistados: “não é que os suecos são ruins e nós estrangeiros, bons. Somos apenas pessoas diferentes”!
Pois é pessoal, também acho que é na diferença que mora a graça das coisas!
Comos já comentei por aqui, é a primeira vez na vida que estudo com pessoas do Japão, Irã, Iraque, Afeganistão, Sri Lanka, Espanha, Panamá, Burundi, Congo, China, Ucrânia, Estados Unidos, enfim, pessoas de vários países e várias culturas. E agora é também a primeira vez que trabalho só com suecos. Estou curtindo muito tudo isso!
Sobre os artigos, até agora já foram publicados quatro e na próxima semana, mais dois serão publicados. Já escrevi sobre moda na América Latina, mercado de trabalho, um prêmio que seria dado à uma microempresária, diferenças culturais, os maremotos na Ásia e sobre o Orkut.
Sem querer ( querendo), parece que comecei a abrir mais espaço aos estrangeiros que vivem aqui, no jornal. No artigo sobre diferenças culturais, entrevistei alguns estudantes estrangeiros e uma professora sueca que dá aula de sueco. A minha intençao era abordar as dificuldades que os estrangeiros enfrentam quando resolvem morar num outro país, as possibilidades, as saudades, a visão que eles têm da sociedade sueca, dentre outros tópicos. Ao mesmo tempo, queria também contar com a análise de um sueco sobre o assunto.
Fiquei contente com o resultado do artigo e também recebi um bom feedback dos entrevistados. Na segunda passada, sem que eu soubesse, a professora imprimiu o texto que saiu no jornal e distribui a todos os alunos, abrindo espaço na aula para que a questão fosse aprofundada.
Segundo a maioria dos entrevistados, um dos grandes problemas que influenciam na aproximação entre suecos e estrangeiros, é o fato de os suecos serem vistos como tímidos e frios. A sueca entrevistada disse concordar com essa afirmacão.
As mulheres estrageiras que vêem de terras como o Irã, por exemplo, valorizam o fato de a Suécia ser um país que trata homens e mulheres com igualdade e oferece boas possiblidades para a educação de seus filhos.
Aproximar suecos de estrangeiros e vice-versa, às vezes não é nada fácil, mas também não é uma missão impossível. Como disse um dos entrevistados: “não é que os suecos são ruins e nós estrangeiros, bons. Somos apenas pessoas diferentes”!
Pois é pessoal, também acho que é na diferença que mora a graça das coisas!
22 março 2005
O jornalismo bate à porta
Ele tinha me abandonado, ou melhor, pensei que tinha. Mas de repente,ele voltou, me pegou de surpresa e entrou na minha vida de novo: ele, o jornalismo.
Pois é, na semana passada tive a minha primeira chance no jornalismo sueco.
Após tentar conseguir alguma oportunidade em vários meios de comunicacão suecos e não ter dado certo, agora, finalmente, a minha chance chegou. Vocês não imaginam o quanto estou feliz e realizada. Na verdade consegui a chance de estagiar num jornal da cidade por um curto prazo, o que para mim já é um passo bem grande.
Quando decidi que me mudaria para cá e deixaria o meu trabalho em São Paulo,aceitei, mas fiquei meio triste. Afinal de contas, quando a gente decidi se dedicar a uma profissão, tem que ser prá valer.
Sim, estou escrevendo para eles em sueco, claro. Uma língua difícil, mas ao mesmo tempo, desafiadora para mim. Depois de 1 ano e dois meses morando aqui no freezer, já consigo me comunicar bem, escrever bem, ainda com algumas limitacões, mas sinto que fica melhor e melhor. No jornal da semana passada escrevi dois artigos: um sobre moda na América Latina e o outro sobre uma mulher que ganhou um prêmio pelo sucesso de sua microempresa. O meu editor aprovou e mandou publicar.
Tudo é difícil nessa vida, mas a gente não pode deixar a bola cair. Tem que seguir em frente e acreditar nos sonhos. Ou melhor, trabalhar duro para que eles se concretizem. Não sei até quando vou escrever para eles, mas já fico contente por poder já ter escrito. Como já ouvi dizer: "devagar se vai ao longe".
Boa semana prá vocês!
Pois é, na semana passada tive a minha primeira chance no jornalismo sueco.
Após tentar conseguir alguma oportunidade em vários meios de comunicacão suecos e não ter dado certo, agora, finalmente, a minha chance chegou. Vocês não imaginam o quanto estou feliz e realizada. Na verdade consegui a chance de estagiar num jornal da cidade por um curto prazo, o que para mim já é um passo bem grande.
Quando decidi que me mudaria para cá e deixaria o meu trabalho em São Paulo,aceitei, mas fiquei meio triste. Afinal de contas, quando a gente decidi se dedicar a uma profissão, tem que ser prá valer.
Sim, estou escrevendo para eles em sueco, claro. Uma língua difícil, mas ao mesmo tempo, desafiadora para mim. Depois de 1 ano e dois meses morando aqui no freezer, já consigo me comunicar bem, escrever bem, ainda com algumas limitacões, mas sinto que fica melhor e melhor. No jornal da semana passada escrevi dois artigos: um sobre moda na América Latina e o outro sobre uma mulher que ganhou um prêmio pelo sucesso de sua microempresa. O meu editor aprovou e mandou publicar.
Tudo é difícil nessa vida, mas a gente não pode deixar a bola cair. Tem que seguir em frente e acreditar nos sonhos. Ou melhor, trabalhar duro para que eles se concretizem. Não sei até quando vou escrever para eles, mas já fico contente por poder já ter escrito. Como já ouvi dizer: "devagar se vai ao longe".
Boa semana prá vocês!
15 março 2005
Do it yourself
Será que o continente europeu inteiro que é assim, na base do faça você mesmo? Pelo menos aqui na Suécia, sim. Se vc achou que era possível contar com uma empregada doméstica, diarista, mensalista, quem sabe uma babysiter, em casa? Não, esses profissionais simplesmente não existem por essas bandas, e se existem, é luxo para poucos.
Aqui na Suécia o negócio é fazer você mesmo. Mas, diferentemente dos países sulamericanos, onde a grande maioria dos homens não se dedica muito às atividades do lar ( me avisem se a coisa tiver mudado), aqui os homens ajudam, e muito, na divisão do trabalho doméstico. Eles são super dedicados. Desde criança têem aula de culinária e corte e costura na escola. São rapazes prendados, que fazem desde um simples e saboroso milkshake ( esse exemplo acabou de surgir por conta do milkshake que o meu marido acabou de deixar aqui na mesa para mim, sem saber que eu escrevia um post sobre isso. Que docinho!) até deliciosos jantares, pãezinho, enfim.
Essa dedicação masculina pode ser percebida também em atividades como tomar conta dos pequenos. Sempre dou de cara com vários papais empurrando o carrinho de bebê dos seus filhos. Às vezes, na companhia de outros homens. Os pais combinam algum programa com outros pais e saem para se divertir com suas crianças. Um luxo!
Mas voltando ao tal do “do it yourself”, acho meio chato o lance de ter que fazer o meu próprio chá ou chocolate quente em alguns restaurantes e cafés. É isso mesmo, tem alguns lugares em que você paga o que vai consumir no caixa e depois chega numa espécie de “mini cozinha” , esquenta a água do seu chá e prepara você mesmo.
Bom, também tenho que assumir que não gosto de, após almoçar no restaurante da universidade aonde estudo, ter que pegar uma fila, levar o prato até a cozinha, limpá-lo e colocá-lo no lugar certo para ser lavado. Não sou esnobe, apenas não estava acostumada com esse sistema. Pensando duas vezes, talvez não seja tão terrível assim, mas é necessário se acostumar com as diferenças. Como vocês sabem, o Brasil é um país recheado de pequenos serviços que facilitam a nossa vida. Mas é claro que não dá para esquecer que em nome do conforto e das facilidades que alguns têm acesso, tem sempre alguém trabalhando muito e ganhando pouco!
Contratar pintores, marcineiros, carpinteiros, eletricistas e outros profissionais do tipo, também não é para muitos, pois custa uma nota. Aliás, de um modo geral, o custo de vida é muito alto! O melhor é contar com a ajuda daquele amigo “pau para toda obra”.
Ah, só para encerrar, lembrei-me de quando vim passar férias aqui pela primeira vez. Perguntei ao Jonas, num sábado à noite, se poderíamos pedir uma pizza....ele riu muito na minha cara e disse que não seria possível, que se quiséssemos mesmo a tal da pizza, teríamos que ir até a cidade e buscá-la: “ Claudia, sem essa de motoboy, älskling”, repondeu ironicamente.
É, se quiser encomendar serviços através de motoboys, o melhor é morar em Estocolmo, e mesmo assim, se achar uma pizzaria que tenha motoboys, prepare-se para desembolsar uma gorjeta que pode ser mais alta que o custo da própria pizza!
Senhores brasileiros no exterior, comentem o post! Quero saber como é no país em que vivem!
Aqui na Suécia o negócio é fazer você mesmo. Mas, diferentemente dos países sulamericanos, onde a grande maioria dos homens não se dedica muito às atividades do lar ( me avisem se a coisa tiver mudado), aqui os homens ajudam, e muito, na divisão do trabalho doméstico. Eles são super dedicados. Desde criança têem aula de culinária e corte e costura na escola. São rapazes prendados, que fazem desde um simples e saboroso milkshake ( esse exemplo acabou de surgir por conta do milkshake que o meu marido acabou de deixar aqui na mesa para mim, sem saber que eu escrevia um post sobre isso. Que docinho!) até deliciosos jantares, pãezinho, enfim.
Essa dedicação masculina pode ser percebida também em atividades como tomar conta dos pequenos. Sempre dou de cara com vários papais empurrando o carrinho de bebê dos seus filhos. Às vezes, na companhia de outros homens. Os pais combinam algum programa com outros pais e saem para se divertir com suas crianças. Um luxo!
Mas voltando ao tal do “do it yourself”, acho meio chato o lance de ter que fazer o meu próprio chá ou chocolate quente em alguns restaurantes e cafés. É isso mesmo, tem alguns lugares em que você paga o que vai consumir no caixa e depois chega numa espécie de “mini cozinha” , esquenta a água do seu chá e prepara você mesmo.
Bom, também tenho que assumir que não gosto de, após almoçar no restaurante da universidade aonde estudo, ter que pegar uma fila, levar o prato até a cozinha, limpá-lo e colocá-lo no lugar certo para ser lavado. Não sou esnobe, apenas não estava acostumada com esse sistema. Pensando duas vezes, talvez não seja tão terrível assim, mas é necessário se acostumar com as diferenças. Como vocês sabem, o Brasil é um país recheado de pequenos serviços que facilitam a nossa vida. Mas é claro que não dá para esquecer que em nome do conforto e das facilidades que alguns têm acesso, tem sempre alguém trabalhando muito e ganhando pouco!
Contratar pintores, marcineiros, carpinteiros, eletricistas e outros profissionais do tipo, também não é para muitos, pois custa uma nota. Aliás, de um modo geral, o custo de vida é muito alto! O melhor é contar com a ajuda daquele amigo “pau para toda obra”.
Ah, só para encerrar, lembrei-me de quando vim passar férias aqui pela primeira vez. Perguntei ao Jonas, num sábado à noite, se poderíamos pedir uma pizza....ele riu muito na minha cara e disse que não seria possível, que se quiséssemos mesmo a tal da pizza, teríamos que ir até a cidade e buscá-la: “ Claudia, sem essa de motoboy, älskling”, repondeu ironicamente.
É, se quiser encomendar serviços através de motoboys, o melhor é morar em Estocolmo, e mesmo assim, se achar uma pizzaria que tenha motoboys, prepare-se para desembolsar uma gorjeta que pode ser mais alta que o custo da própria pizza!
Senhores brasileiros no exterior, comentem o post! Quero saber como é no país em que vivem!
06 março 2005
Pátria e princípios
Será que o comportamento das pessoas muda quando elas passam a morar em outras terras? Depois de quanto tempo incorporamos, no meu caso, o “jeito sueco” de ser? Na verdade, gostaria de discutir se é positivo ou não, necessário ou não, incorporar os hábitos de outros povos só porque você passou a viver em outro país.
Há características boas e ruins nisso tudo. Mas será que até as características ruins, que não devem ser absorvidas acabam se inpondo e a gente aceita? Bom, acho interessante copiar o que é saudável, bom e verdadeiro, mas às vezes acho que algumas pessoas acabam, talvez não por vontade própria, mas por conta de certas influências, sendo tomadas pela parte ruim da aculturação.
Experiências pesoais e de amigos mostram que algumas pessoas invertem seus valores, tratam com desrespeito e preconceito os seus compatriotas após terem vivido anos e anos fora do Brasil. Lembrem-se é apenas o que eu vivenciei e o que já me contaram. Na verdade, a eventual falta de caráter e tato no trato com as pessoas, deve ter mais a ver com a personalidade do indivíduo, sendo ele brasileiro ou panamenho, do que com o meio aonde se vive. Fica aí uma sugestão de pensamento!
De um modo geral, quando se vive em outro país, é possível provar coisas novas, fazer uma vida diferente, ousar, enfim, as portas se abrem para as boas e más ações e mudanças.
Falando nisso, outro dia encontrei uma colega de escola, que estudou no mesmo curso de sueco que eu logo quando vim morar aqui. Ela é muçulmana e vem do Afeganistão.
Na Suécia tem gente de todo canto, principalmente pessoas que vem de países em guerra e de maioria muçulmana. Bom, na época do curso ela usava o “véu muçulmano”, característico da religião, mas que dependendo da educação, da cultura, do marido e outros fatores, nem todas as mulheres muçulmanas usam. Não vou me aprofundar muito no tema, senão vira assunto para outro post.
Essa garota, que vou chamar de Sara, sempre usou o véu. Outro dia, após mais de uns seis meses sem contato, nos encontramos no corredor da universidade e eu quase não a reconheci: estava sem o véu. Mostrava o cabelo, estava maquiada e usando roupas modernas e coloridas. Estava bonita e doce como sempre, mas visivelmente mais feliz. Aposto que ela sempre quis que os outros a vissem assim! Se a atitude dela é vista como certa ou errada no mundo muçulmano, não vou entrar no mérito, mas foi primeira vez que a vi relmente com um brilho extra no olhar.
Uma nova terra pode mudar alguém, pode transformar. Mas é bom ficar sempre de olho no que é bom preservar, no que carregamos toda a vida e aprendemos que é certo e deve ser guardado. Tem princípios que a nossa alma pede para serem seguidos, por questão de cultura, educação, wherever. É bom obedecer esse sinal que vem da alma, se ele indicar coisas boas e produtivas, é claro!
Há características boas e ruins nisso tudo. Mas será que até as características ruins, que não devem ser absorvidas acabam se inpondo e a gente aceita? Bom, acho interessante copiar o que é saudável, bom e verdadeiro, mas às vezes acho que algumas pessoas acabam, talvez não por vontade própria, mas por conta de certas influências, sendo tomadas pela parte ruim da aculturação.
Experiências pesoais e de amigos mostram que algumas pessoas invertem seus valores, tratam com desrespeito e preconceito os seus compatriotas após terem vivido anos e anos fora do Brasil. Lembrem-se é apenas o que eu vivenciei e o que já me contaram. Na verdade, a eventual falta de caráter e tato no trato com as pessoas, deve ter mais a ver com a personalidade do indivíduo, sendo ele brasileiro ou panamenho, do que com o meio aonde se vive. Fica aí uma sugestão de pensamento!
De um modo geral, quando se vive em outro país, é possível provar coisas novas, fazer uma vida diferente, ousar, enfim, as portas se abrem para as boas e más ações e mudanças.
Falando nisso, outro dia encontrei uma colega de escola, que estudou no mesmo curso de sueco que eu logo quando vim morar aqui. Ela é muçulmana e vem do Afeganistão.
Na Suécia tem gente de todo canto, principalmente pessoas que vem de países em guerra e de maioria muçulmana. Bom, na época do curso ela usava o “véu muçulmano”, característico da religião, mas que dependendo da educação, da cultura, do marido e outros fatores, nem todas as mulheres muçulmanas usam. Não vou me aprofundar muito no tema, senão vira assunto para outro post.
Essa garota, que vou chamar de Sara, sempre usou o véu. Outro dia, após mais de uns seis meses sem contato, nos encontramos no corredor da universidade e eu quase não a reconheci: estava sem o véu. Mostrava o cabelo, estava maquiada e usando roupas modernas e coloridas. Estava bonita e doce como sempre, mas visivelmente mais feliz. Aposto que ela sempre quis que os outros a vissem assim! Se a atitude dela é vista como certa ou errada no mundo muçulmano, não vou entrar no mérito, mas foi primeira vez que a vi relmente com um brilho extra no olhar.
Uma nova terra pode mudar alguém, pode transformar. Mas é bom ficar sempre de olho no que é bom preservar, no que carregamos toda a vida e aprendemos que é certo e deve ser guardado. Tem princípios que a nossa alma pede para serem seguidos, por questão de cultura, educação, wherever. É bom obedecer esse sinal que vem da alma, se ele indicar coisas boas e produtivas, é claro!
26 fevereiro 2005
C´est la vie

Foto: Jonas Ekström
Pois é, faz um tempo que não apareço por aqui, confesso que fico chaetada por não ter tido tempo de atualizar o blog. Estou numa correria ultimamente, tentando me equilibrar entre os cursos de sueco e francês. Isso mesmo, francês! Pela primeira vez na vida vou estudar uma língua por prazer e não por que tenho a obrigação de aprender, como o inglês e o sueco. Sempre gostei de francês, mas nunca tive tempo em me dedicar ao aprendizado do idioma. Bom, vamos ver no que vai dar!
Para quem fala uma língua latina, como o português, pensa que na hora de aprender outras línguas latinas, como o espanhol, italiano, francês, vai sentir que existem facilidades, e que não serão necessários grandes esforços, certo? Mais ou menos. A coisa não é tão simples quanto parece. É verdade que muitas palavras são parecidas com o português, o que torna mais fácil a compreensão de alguns textos. Mas a escrita e a pronúncia são de deixar qualquer um irritado!
Os franceses usam muito apóstrofo nas palavras, uma das características da língua que me faz perder a paciência. Palavras como n´est ce – pas, s´il vous plaît, je m ´appelle, e tantas outras no mesmo estilo, podem gerar uma certa confusão.
Quanto à pronúncia, é necessário “decorar” ou aprender como os finais das palavras devem ser pronunciados. Por exemplo: mousieur ( que se torna “messiê”), chapeau ( chapô), seulement (sôlemã), enfim.
Bom, acho que o meu interesse pela língua francesa ficou ainda mais acentuado depois de uma viagem à Paris, no ano passado. Linda, elegante, civilizada, cultural, enfim, uma cidade fantástica, com um idioma que me encanta os ouvidos.
Na verdade, as duas únicas coisas que me chatearam na minha estadia na Belle Epoque foi o fato de eu ter quebrado um dente na primeira noite em Paris por conta de uma pedrinha que eu encontrei no meu bife ( mas isso é assunto para outro post ;-)) e o fato de os franceses não saberem ou se recusarem a falar inglês. Eu sei que a razão de tudo isso está no passado histórico da França, mas, de qualquer forma, os turistas que não falam francês sentem-se meio prejudicados.
Sempre que precisei de alguma informação e tentei consegui-la em inglês, tive que me contentar com um francês falado pausadamente e mais alto - meio pelo qual eles acham que é possível compreender a língua -. Para não dizer que foi assim o tempo todo, consegui me comunicar em inglês com dois funcionários do hotel.
De qualquer maneira a viagem foi maravilhosa e com certeza me deixou encantada o suficiente para voltar à Paris e às outras cidades francesas. Só que da próxima vez espero estar craque no idioma ou pelo menos conseguir usar algumas frases básicas nas situações do dia-a-dia! Au revoir!
16 fevereiro 2005
Dia dos namorados

No dia 14 de fevereiro foi dia dos namorados por aqui. Assim como nos Estados Unidos, alguns países da Europa também tem o seu Valentine´s Day nessa data.
Na verdade, eu não somente comemoro o Dia dos namorados como também o meu aniversário de casamento! Isso mesmo, no ano passado Jonas e eu nos casamos no dia 14 de fevereiro.
Lembro-me que fez um dia gelado, porém lindo, com muita neve e céu azul. O tempo passa rápido, parece que foi ontem. Acho que essa sensacão do "parece que foi ontem" é super positiva, significa que quanto mais o tempo passa o sentimento se fortalece e se recicla. Afinal, o amor tem várias fases, né?
Dia dos namorados é todo dia, certo? Todo dia é dia de amor e de amar! Piegas, porém romântico ;-)
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