18 novembro 2005

A beleza do inverno sueco


Oi, pessoas! Estou meio relapsa para atualizar o blog, né? Pois é, estou trabalhando e estudando muito e o tempo está escasso.
Mas prometo voltar em breve para deixar algumas novidades...
Enquanto isso, deliciem-se com as fotos do comeco do inverno sueco. Lindas, não? Essa é a vista do "quintal" dos meus sogros!!!
Até mais ;-)













Fotos: Jonas Ekström

06 novembro 2005


Ai………........sabe quando a gente está com vontade de arrancar os cabelos e gritar ao mesmo tempo? Pois é, domingão à noite, mil coisas prá fazer e os sintomas da TPM aqui, me infernizando! Grgrgrg!
Bom final de noite e bom comeco de semana prá vcs!

31 outubro 2005


Como bem escreveu a Denise, do Síndrome de Estocolmo, somos mesmo seres que já nascem com uma bagagem cheia de culpas, né? Prá não fugir à regra, é claro que eu também sou assim! Culpa, essa maldita!

Quem mora no exterior, além da “colecão de culpas básicas”, tem que carregar a culpa de estar longe da família, se sentir mal quando alguma coisa acontece com eles e não estamos presentes para apoiar e coisa e tal. Semana passada me senti assim.

Meu tio Renato, aquele sobre o qual escrevi outro dia, faleceu e eu, naturalmente, fiquei muito triste, mas não pude estar ao lado da família. A minha mãe, que ficou de visitá-lo na mesma semana da morte, não teve tempo e se culpou por não ter tido tempo.

A gente sempre quer ter tempo prá visitar as pessoas que amamos, estudar, progredir, trabalhar, ficar ao lado do marido, treinar, enfim, são mil e uma atividades o tempo todo. É claro que não temos tempo, é claro que nos culpamos por não termos tempo.

Culpa por ter discutido ou calado. Culpa por não ter lutado pelos nossos direitos, culpa por ter deixado escapar aquela chance, aquele momento….culpa!

Como bem sugeriu a Denise…que tal queimar toda essa culpa do dia-a-dia e comecar vidinha nova? Mesmo que seja impossível transformar todas essas nossas culpas em cinzas, seria legal dar um jeito de exorcizar as mais cabeludas, não acham?

Imagem: O grito, Edvard Munch

28 outubro 2005

Casamento homossexual

A igreja sueca acaba de aprovar o casamento religiosos de pessoas do mesmo sexo. A partir de 2006, homossexuais que quiserem se casar na igreja, poderam fazê-lo. A notícia tem provocado tanto reacões positivas quanto negativas no país. O projeto foi votado ontem e foram 160 votos a favor, contra 81. Ele existe desde os anos 70, mas só agora conseguiu a aprovacão necessária para entrar em prática.

A união oficial entre pessoas do mesmo sexo, que partilham do mesmos direitos, assim como num casamento entre um casal heterossexual é reconhecido na Suécia desde 1995.

Acabei de ler uma enquete realizada hoje, pelo jornal sueco VLT, em que as pessoas expressavam suas opiniões sobre a aprovacão do projeto. Todas se mostraram favoráveis ao casamento homossexual na igreja. Os entrevistados defenderam o fato de os homossexuais terem direito ao casamento religioso, assim como os heterosexuais, simbolizando uma união aprovada pela igreja.

Depoimentos de membros da igreja sueca, contrários à união homossexual na igreja e de um modo geral, defendem a tese de que a medida vai contra a Bíblia, aos “bons costumes” e é visto como um pecado.

Certamente a medida ainda vai causar muitas discussões e muita polêmica, mas o fato é que representa uma grande vitória para a comunidade gay sueca. A medida não obriga pastores( lembrando que a Suécia é um país protestante, porisso, pastores) de posicão contrária à medida, a realizar casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo, mas garante aos homossexuais, o direito de contarem sempre com um pastor que realize a cerimônia.

Opiniões contrárias ou favoráveis à parte, a medida faz com que os casais de homossexuais que vivem na Suécia, tenham o direito de decidir se o casamento religioso é ou não importante prá eles. Mais do que uma conquista de um grupo, que é minoria nas sociedades mundiais, a medida sueca representa um grande passo em direcão à igualdade de oportunidades e direito de escolha entre seres humanos.

24 outubro 2005

Que frio......

A temperatura está na casa dos -1 e nevou a noite toda. Neste momento o céu está azul e as cores do outono sueco continuam a encantar. É, pelo jeito vou ter que botar prá fora os casacões de inverno!!! Tá um gelo por aqui!

Na noite passada, tivemos que abastecer a lareira com muita lenha e o Jonas, o sabichão, resolveu que colocaria madeiras pintadas dentro da lareira. Sim, quando chega essa época, a lareira passa a ser o brinquedo favorito dele, pega tudo que não presta e quer botar fogo.

Bom, como eu sei que madeira pintada na lareira provoca mal cheiro na casa inteira (até rimou), disse que não era prá colocar, pois fizemos o ano passado e não deu certo. Pois bem, ele disse que não tinha problema, que faria diferente...o resultado foi que mais ou menos umas 11 da noite, hora em que fomos dormir, senti um cheiro muito forte de queimado!!! Abrimos a porta do quarto e a casa inteira estava cheirando queimado. Esse Jonas...

Enfim, a tendência é o tempo esfriar cada vez mais, o Jonas enfiar cada vez mais lixo na lareira e a família Ekström passar mais noites em claro :-)

20 outubro 2005

A morte faz parte da vida...e isso me incomoda!


Nós somos feitos para viver, crescer, aproveitar a vida e morrer! Tenho medo da morte, da perda. Ontem fiquei sabendo que o meu tio favorito, praticamente um pai prá mim, foi internado e está na UTI, em estado grave. Ele é do tipo de pessoa que está sempre alerta, alegre, elétrico. Ele já tem 86 anos e nessa idade até um resfriado pode significar coisa séria. E foi o que aconteceu!

Há uns dez dias ele pegou um resfriado, que se desenvolveu, e virou pneumonia. E desde então, parece que outras fragilidades, inclusive emocionais, tomaram conta dele. Comecou a se sentir depressivo, pensar nos acontecimentos do passado, nos arrependimentos, tristezas.

Vivia sozinho, nunca teve filhos, ou teve, mas nunca os encontrou. Na verdade, ele encontrou em mim uma maneira de ser pai, pois sempre me tratou como filha.
Amou a vida inteira a mesma mulher, minha tia. Um amor confuso, impávido, eterno…que se fortaleceu ainda mais após ela ter falecido. O amor mais bonito que eu já vi na vida!

Da última vez que nos vimos, em dezembro passado, ela estava como sempre: alerta, alegre, elétrico. Fazia questão de caminhar todos os dias, pegar metrô, dar uma volta no centro de São Paulo, com parada para um cafézinho. Fazia feira toda terca-feira, adorava o futebol do Palmeiras, time paulista.
Sempre gostou de corrida de cavalos, sempre trabalhou no Jockey Club de São Paulo, sempre tinha uma lista com um monte de nomes de cavalos que, esperancosamente, me mostrava e pedia para eu escolher o nome que eu quisésse, antes mesmo de eu aprender a ler.

A gente sempre acha que as pessoas boas são prá sempre, mesmo sabendo que é um erro, uma fraqueza, uma ignorância.
Só tenho memórias positivas da nossa convivência…ele sempre me fez acreditar em Papai Noel! Por que? Porque o meu Pai Noel sempre foi ele. Porque foi ele quem sempre me deu as bonecas mais bonitas, que ainda existem, guardadas na parte direita do armário da sala do apartamento do meu Papai Noel…

A gente sabe que Deus quer ao lado dele as pessoas mais caras, mais raras e de coracão mais bonito. Se Deus quiser levar prá ele o meu segundo pai, vou ficar triste, já estou triste. Rezo para que o melhor aconteca...

12 outubro 2005

Tensta


Tensta é um bairro localizado nos subúrbios de Estocolmo, aonde vivem muitos estrangeiros e aonde se fala centenas de línguas. Sempre ouvi comentários do tipo: “ Em Tensta só moram estrangeiros, sueco nenhum se arrisca a morar lá” “ Os estupros e outros crimes que acontecem em Estocolmo, têm origem em Rynkebi ou en Tensta”, enfim.

Outro dia vi um documentário na TV mostrando a cara de Tensta e de seus moradores. Achei o documentário bastante intressante, pois ao invés de mostrar as dificuldades e asperezas que certamente existem na vida suburbana do bairro, o documentário ”Sete sofás em Tensta”, mostrou como é a vida das pessoas que moram lá, dos personagens do de Tensta. Quando o programa comecou, pensei que ouviria relatos de estrangeiros que moram lá, e apenas de estrangeiros. Mas eles também mostraram histórias de moradores suecos. Além de uma família libanesa, uma família síria e três famílias africanas.

Os relatos da senhora sueca e das famílias africanas foram os que mais me chamaram a atencão. O apartamento de uma das famílias africanas era impressionante, parecia uma selva. Uma decoracão com motivos africanos – tigres, leões, elefantes, máscaras, figuras de guerreiros -, tendo o marrom como cor predominante. Tudo muito diferente e exótico!

Binto,do Gâmbia, na foto ao lado, disse que a decoracão do apartamento foi toda inspirada na África para que ela realmente pudésse se sentir em casa. Ela relatou também que sempre que está deprimida, compra presentes e objetos prá casa. Boa terapia,né?

Numa outra família africana, a moradora disse que às vezes, precisava ir à casa da vizinha para ver como um apartamento deveria ser, o que seria necessário ter nele para que se parecesse com um apartamento, já que ela sempre morou em habitacões primitivas na África.

Ingrid

Uma das personagens do programa era Ingrid, uma senhora sueca, aposentada, que morava sozinha. Há mais de 7 anos em Tensta, sentia-se bem em olhar para as árvores que tem em frente ao prédio e feliz por ter um apartamento bem iluminado pela luz do Sol.

Dentre muitas histórias, Ingrid relatou que uma vez ficou doente e teria que ficar hospitalizada por quatro meses. Quando recebeu a visita de sua vizinha, Zenab, da Somália, disse que estava triste no hospital e que não queria permanecer internada. A vizinha disse que não tinha problema, que ela e sua família a buscariam no hospital e tomariam conta dela em casa. Foi o que aconteceu. Zenab tomou conta de Ingrid durante quatro meses, fator que fez com que a amizade das duas crescesse ainda mais.

Zeinab conta que apesar de ter amigos da Somália morando na vizinhanca, Ingrid foi a pessoa de quem ela até hoje conseguiu chegar mais perto e ter uma verdadeira amizade.

Após ter vindo morar na Suécia, sinto que essa solidariedade da qual muitos povos compartilham, não me parece muito comum por aqui. Os vizinhos não se ajudam de maneira frequente. É essa a impressão que tenho!
Mas como disse Ingrid no documentário:“ usar o tempo que você tem extra ou diminuir algumas de suas atividades e ajudar a um amigo que precisa, vizinho ou não, pode fazer muito bem prá alma.”

Fotos: SVT