26 maio 2005

A alérgica

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Eu e as minhas alergias...desde crianca é a mesma coisa! Ultimamente tenho tido umas alergias esquisitíssimas. O meu lábio superior comeca a inchar e ficar dolorido e quase sempre esse sintoma vem acompanhado de coceiras nos bracos, pernas e pescoco. Pode ser algo que como, uso, bebo, não sei. Na verdade não existem curas definitivas contra as alergias, mas existem tratamentos, que levam a vida inteira, mas que apaziguam as moléstias.

Na infância fiz um tratamento com vacinas. Eu tomava essas vacinas toda semana, cada vez em doses maiores e ficava livre das reacões alérgicas, mas depois de uns oito anos, cansei do tratamento e parei de tomar porque já não mostravam bons resultados.

Na semna passada fui ao médico aqui, na esperanca de consegui fazer um teste toxoplasmógico e descobrir as substâncias as quais me tornei alérgica, mas o médico descartou a possibilidade. Na verdade, veio com um discurso que não me convenceu muito...me perguntou se eu costumava tomar banhos todos os dias, disse que sim, e ele disse que o melhor que eu tinha a fazer era parar de tomar banho com tanta frequência, e que caso o fizesse, seria melhor evitar o uso do sabonete!!!
Bom, resolvi que não seguiria esse conselho, ao meu ver, absurdo.

Alergia é um negócio muito chato, que perturba, que influência, no meu caso, muitas das minhas atividades. Hoje, por exemplo, não pude sair de casa :-(

25 maio 2005

Gil recebe "Polar" e faz show em Estocolmo

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Foto:Patrik Österberg
Só deu Brasil na noite de ontem em Estocolmo, pessoal! O show do Gil foi maravilhoso, uma verdadeira festa para matar as saudades do Brasil. Ele abriu o show com Refazenda e continuou encantando a noite com Maracatu atômico, Soy loco por ti América, Imagine, Three little birds, Aquele Abraco, Asa Branca...Foi um show que encantou a suecos e brasileiros na mesma medida.

Na semana passada, Gil veio receber o Polar Music Prize, das mãos do rei da Suécia, Carl Gustav, pelo seu trabalho na disseminacão da música e cultura brasileira pelo mundo. Dentre os ganhadores do prêmio, que este ano é de US$ 137 mil, destacam-se artistas como B.B. King, Elton John, Bruce Springsteen, Bob Dylan e outros.

Parabéns, ministro!

04 maio 2005

As mulheres e o amor

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Foto: divulgacão

Já pararam para pensar que sempre, ou quase sempre, são as mulheres quem investem todas as fichas em histórias de amor? Quando saí do Brasil para viver um amor na Suécia, não tinha noção de que encontraria tantas mulheres na mesma situação que eu. Somos mesmo corajosas, não acham?

Tenho encontrado pessoas ótimas nessa minha vida à la sueca...mulheres estrangeiras como eu... brasileiras, asiáticas, européias, negras, brancas, amarelas, católicas, muçulmanas, budistas, protestantes, mulheres. São muitas e são muito corajosas. Quando a pessoa é corajosa a gente vê no olhar, não é mesmo? Sei lá, as corajosas olham de um jeito que só elas têm.

As histórias sobre como elas vieram parar aqui são as mais diversas. Sempre tenho o maior interesse e paciência do mundo para ouví-las. Adoro ouvir histórias sobre encontros!
Percebo que entre as mulheres que vêm de países árabes, muitas vezes, chegam aqui casadas com homens da mesma nacionalidade para tentar uma vida culturalmente mais livre e sobretudo para fugir dos conflitos que ainda assolam o Oriente Médio.

Muitas dessas mulheres também chegam aqui sem os seus maridos e sem a esperança de poder revê-los. Conheço uma iraquiana com esse tipo de história. Que talvez desista de tentar trazer o marido prá cá e se contente em apenas vê-lo através da imagem do filho dos dois que ela teve a sorte de conseguir proteger das crueldades da guerra.

Tem também as histórias dos homens do Oriente Médio, que vieram para a Suécia crianças, com seus pais, também fugindo da guerra e que na idade adulta, voltam para os seus países à procura de uma esposa da mesma cultura. Aliàs, sempre é pauta para muita discussão, se é ou não possível para pais estrangeiros educar seus filhos seguindo princípios de suas tradições e religiões, mas morando na Suécia. Pretendo discutir esse assunto num outro post... :-)

Tem também as histórias das tailandesas com os suecos. A Tailândia, antes do tsunami, era o destino favorito dos suecos para passar férias, fator que aumentava e certamente continuará aumentando a presença das simpáticas tailandesas e da saborosa e picante comida da Tailândia neste país.

Ah, não poderia deixar de comentar sobre as chinesas, os suecos e a empresa ABB. Na verdade, a gigante sueca ABB existe em quase todo o mundo e já deve ter unido muitos casais de suecos e estrangeiras. Os homens suecos parecem gostar muito das chinesas. Quando viajam a trabalho para a China, sempre voltam apaixonados por alguma chinesa que, mais tarde, deixa prá trás seu país e embarca com destino à Suécia. Ah, o amor!

Não posso esquecer dos homens que também trocam suas terras para caírem nos braços de um belo par de pernas suecas. É, não são somente os homens suecos que fazem sucesso mundo afora! Há umas duas semanas entrevistei um amigo estrangeiro, para o jornal. Ele deixou o seu país, casou com uma sueca e mora aqui. Por alguma razão, não me parece muito comum que os homens também raciocinem com o coração, como nós mulheres, a ponto de também deixarem seus empregos, estabilidade financeira, família, amigos, para apostarem numa relacão com alguém que vive há muitos km de distância.

Mulheres são mais flexíveis, por mais que achem tudo muito difícil, trabalhoso e arriscado, apostam a própria vida em nome de um amor.. mulheres!

25 abril 2005

Sonhos

No meio de tantos aconetecimentos mundiais, um novo papa e outras mil coisas acontecendo, resolvi falar de sonho. Essa coisa de ter sonho, é algo que todo mundo tem, não é? É melhor dizer sonho ou objetivo? O que fica mais concreto?

Na verdade acho que quando a gente tem um sonho, guarda ele em algum lugar e às vezes pensa nele, mas não faz nada para que ele se torne real, é sonho mesmo. Mas quando você tem um sonho, o transforma em desejo e luta para transformá-lo em realidade, torna-se um objetivo, uma meta.

Andei pensando em quantas pessoas eu conheco e quantas já me contaram sobre seu sonhos ou objetivos…não que eu tenha chegado a alguma conclusão esplêndida, só pensei no assunto e percebi que as pessoas têm muito medo de correr atrás das coisas, de ousar, de quebrar a cara, de cair e levantar, de lutar. Tem muita coisa que as pessoas sonham, mas acham que é impossível, que não vai dar certo. Não pode!

Outro dia estava lendo alguns posts antigos e descobri que muitas vezes disse que seria ótimo conseguir uma oportunidade como jornalista aqui na Suécia, mas que seria muito difícil ou quase impossível, por muitos motivos. Na verdade, sempre que alguém por aqui me perguntava sobre os meus objetivos nessa nova terra, sendo essas pessoas, brasileiras, suecas ou de outras nacionalidades, eu respondia que ainda sonhava em exercer a minha profissão aqui, mas que seria necessário muito trabalho, muita paciência e que seria muito difícil.

As pessoas quase sempre concordavam comigo sobre o quesito dificuldade, acrescentando que seria melhor que eu me dedicasse à uma outra atividade e esquecesse de vez o jornalismo aqui na Suécia, seria impossível. Pensando melhor agora, me recordo que duas pessoas fugiram à essa regra, uma amiga da Malasya e uma professora de sueco que eu tive quando comecei a estudar a língua, há um ano e quatro meses atrás.

Eu sempre fui muito obstinada e sempre achei que coragem demais pode trazer sucesso ou fracasso na mesma medida, mas sou do tipo que se arrisca mesmo. Fazer o que, tem coisas que a gente tem que carregar, né? Como diria Caetano Veloso: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Com isso tudo quero dizer que acho importante jamais jogar areia nos sonhos de alguém, mesmo que você não acredite na forca deles. Não acho que os sonhos das pessoas precisam ser julgados por outras pessoas, que às vezes, nem tiveram a oportunidade de te conhecer direito, não sabem da sua forca interior, da sua competência, e querem transformar as suas vontades em coisas impossíveis.

Não sei se depois que o meu estágio acabar vou conseguir novas chances na mídia sueca, mas posso dizer que até agora, já valeu à pena ter acreditado em mim mesma, ter ido atrás do meu sonho. Se ao comentarem sobre os seus sonhos com alguém e for desencorajado, aceite o comentário da pessoa, concorde até, mas não deixe esse comentário contaminar as suas vontades e aquela voz interior que diz: vá em frente, você consegue!

07 abril 2005

A mídia sueca e os estrangeiros

Depois de alguns dias sem aparecer, cá estou eu novamente! Pois é, como contei no último post, comecei a estagiar no jornal Västerås Tidning e estou achando super interessante! Está me fazendo super bem essa volta ao jornalismo e estréia na mídia sueca. É estranho e ao mesmo tempo curioso trabalhar com os suecos. É uma experiência enriquecedora e que toca novamente na questão da tolerância e aceitacão das diferenças entre os indivíduos.

Comos já comentei por aqui, é a primeira vez na vida que estudo com pessoas do Japão, Irã, Iraque, Afeganistão, Sri Lanka, Espanha, Panamá, Burundi, Congo, China, Ucrânia, Estados Unidos, enfim, pessoas de vários países e várias culturas. E agora é também a primeira vez que trabalho só com suecos. Estou curtindo muito tudo isso!

Sobre os artigos, até agora já foram publicados quatro e na próxima semana, mais dois serão publicados. Já escrevi sobre moda na América Latina, mercado de trabalho, um prêmio que seria dado à uma microempresária, diferenças culturais, os maremotos na Ásia e sobre o Orkut.

Sem querer ( querendo), parece que comecei a abrir mais espaço aos estrangeiros que vivem aqui, no jornal. No artigo sobre diferenças culturais, entrevistei alguns estudantes estrangeiros e uma professora sueca que dá aula de sueco. A minha intençao era abordar as dificuldades que os estrangeiros enfrentam quando resolvem morar num outro país, as possibilidades, as saudades, a visão que eles têm da sociedade sueca, dentre outros tópicos. Ao mesmo tempo, queria também contar com a análise de um sueco sobre o assunto.

Fiquei contente com o resultado do artigo e também recebi um bom feedback dos entrevistados. Na segunda passada, sem que eu soubesse, a professora imprimiu o texto que saiu no jornal e distribui a todos os alunos, abrindo espaço na aula para que a questão fosse aprofundada.

Segundo a maioria dos entrevistados, um dos grandes problemas que influenciam na aproximação entre suecos e estrangeiros, é o fato de os suecos serem vistos como tímidos e frios. A sueca entrevistada disse concordar com essa afirmacão.
As mulheres estrageiras que vêem de terras como o Irã, por exemplo, valorizam o fato de a Suécia ser um país que trata homens e mulheres com igualdade e oferece boas possiblidades para a educação de seus filhos.

Aproximar suecos de estrangeiros e vice-versa, às vezes não é nada fácil, mas também não é uma missão impossível. Como disse um dos entrevistados: “não é que os suecos são ruins e nós estrangeiros, bons. Somos apenas pessoas diferentes”!
Pois é pessoal, também acho que é na diferença que mora a graça das coisas!

22 março 2005

O jornalismo bate à porta

Ele tinha me abandonado, ou melhor, pensei que tinha. Mas de repente,ele voltou, me pegou de surpresa e entrou na minha vida de novo: ele, o jornalismo.
Pois é, na semana passada tive a minha primeira chance no jornalismo sueco.

Após tentar conseguir alguma oportunidade em vários meios de comunicacão suecos e não ter dado certo, agora, finalmente, a minha chance chegou. Vocês não imaginam o quanto estou feliz e realizada. Na verdade consegui a chance de estagiar num jornal da cidade por um curto prazo, o que para mim já é um passo bem grande.

Quando decidi que me mudaria para cá e deixaria o meu trabalho em São Paulo,aceitei, mas fiquei meio triste. Afinal de contas, quando a gente decidi se dedicar a uma profissão, tem que ser prá valer.

Sim, estou escrevendo para eles em sueco, claro. Uma língua difícil, mas ao mesmo tempo, desafiadora para mim. Depois de 1 ano e dois meses morando aqui no freezer, já consigo me comunicar bem, escrever bem, ainda com algumas limitacões, mas sinto que fica melhor e melhor. No jornal da semana passada escrevi dois artigos: um sobre moda na América Latina e o outro sobre uma mulher que ganhou um prêmio pelo sucesso de sua microempresa. O meu editor aprovou e mandou publicar.

Tudo é difícil nessa vida, mas a gente não pode deixar a bola cair. Tem que seguir em frente e acreditar nos sonhos. Ou melhor, trabalhar duro para que eles se concretizem. Não sei até quando vou escrever para eles, mas já fico contente por poder já ter escrito. Como já ouvi dizer: "devagar se vai ao longe".
Boa semana prá vocês!

15 março 2005

Do it yourself

Será que o continente europeu inteiro que é assim, na base do faça você mesmo? Pelo menos aqui na Suécia, sim. Se vc achou que era possível contar com uma empregada doméstica, diarista, mensalista, quem sabe uma babysiter, em casa? Não, esses profissionais simplesmente não existem por essas bandas, e se existem, é luxo para poucos.

Aqui na Suécia o negócio é fazer você mesmo. Mas, diferentemente dos países sulamericanos, onde a grande maioria dos homens não se dedica muito às atividades do lar ( me avisem se a coisa tiver mudado), aqui os homens ajudam, e muito, na divisão do trabalho doméstico. Eles são super dedicados. Desde criança têem aula de culinária e corte e costura na escola. São rapazes prendados, que fazem desde um simples e saboroso milkshake ( esse exemplo acabou de surgir por conta do milkshake que o meu marido acabou de deixar aqui na mesa para mim, sem saber que eu escrevia um post sobre isso. Que docinho!) até deliciosos jantares, pãezinho, enfim.

Essa dedicação masculina pode ser percebida também em atividades como tomar conta dos pequenos. Sempre dou de cara com vários papais empurrando o carrinho de bebê dos seus filhos. Às vezes, na companhia de outros homens. Os pais combinam algum programa com outros pais e saem para se divertir com suas crianças. Um luxo!

Mas voltando ao tal do “do it yourself”, acho meio chato o lance de ter que fazer o meu próprio chá ou chocolate quente em alguns restaurantes e cafés. É isso mesmo, tem alguns lugares em que você paga o que vai consumir no caixa e depois chega numa espécie de “mini cozinha” , esquenta a água do seu chá e prepara você mesmo.

Bom, também tenho que assumir que não gosto de, após almoçar no restaurante da universidade aonde estudo, ter que pegar uma fila, levar o prato até a cozinha, limpá-lo e colocá-lo no lugar certo para ser lavado. Não sou esnobe, apenas não estava acostumada com esse sistema. Pensando duas vezes, talvez não seja tão terrível assim, mas é necessário se acostumar com as diferenças. Como vocês sabem, o Brasil é um país recheado de pequenos serviços que facilitam a nossa vida. Mas é claro que não dá para esquecer que em nome do conforto e das facilidades que alguns têm acesso, tem sempre alguém trabalhando muito e ganhando pouco!

Contratar pintores, marcineiros, carpinteiros, eletricistas e outros profissionais do tipo, também não é para muitos, pois custa uma nota. Aliás, de um modo geral, o custo de vida é muito alto! O melhor é contar com a ajuda daquele amigo “pau para toda obra”.

Ah, só para encerrar, lembrei-me de quando vim passar férias aqui pela primeira vez. Perguntei ao Jonas, num sábado à noite, se poderíamos pedir uma pizza....ele riu muito na minha cara e disse que não seria possível, que se quiséssemos mesmo a tal da pizza, teríamos que ir até a cidade e buscá-la: “ Claudia, sem essa de motoboy, älskling”, repondeu ironicamente.
É, se quiser encomendar serviços através de motoboys, o melhor é morar em Estocolmo, e mesmo assim, se achar uma pizzaria que tenha motoboys, prepare-se para desembolsar uma gorjeta que pode ser mais alta que o custo da própria pizza!

Senhores brasileiros no exterior, comentem o post! Quero saber como é no país em que vivem!