A igreja sueca acaba de aprovar o casamento religiosos de pessoas do mesmo sexo. A partir de 2006, homossexuais que quiserem se casar na igreja, poderam fazê-lo. A notícia tem provocado tanto reacões positivas quanto negativas no país. O projeto foi votado ontem e foram 160 votos a favor, contra 81. Ele existe desde os anos 70, mas só agora conseguiu a aprovacão necessária para entrar em prática.
A união oficial entre pessoas do mesmo sexo, que partilham do mesmos direitos, assim como num casamento entre um casal heterossexual é reconhecido na Suécia desde 1995.
Acabei de ler uma enquete realizada hoje, pelo jornal sueco VLT, em que as pessoas expressavam suas opiniões sobre a aprovacão do projeto. Todas se mostraram favoráveis ao casamento homossexual na igreja. Os entrevistados defenderam o fato de os homossexuais terem direito ao casamento religioso, assim como os heterosexuais, simbolizando uma união aprovada pela igreja.
Depoimentos de membros da igreja sueca, contrários à união homossexual na igreja e de um modo geral, defendem a tese de que a medida vai contra a Bíblia, aos “bons costumes” e é visto como um pecado.
Certamente a medida ainda vai causar muitas discussões e muita polêmica, mas o fato é que representa uma grande vitória para a comunidade gay sueca. A medida não obriga pastores( lembrando que a Suécia é um país protestante, porisso, pastores) de posicão contrária à medida, a realizar casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo, mas garante aos homossexuais, o direito de contarem sempre com um pastor que realize a cerimônia.
Opiniões contrárias ou favoráveis à parte, a medida faz com que os casais de homossexuais que vivem na Suécia, tenham o direito de decidir se o casamento religioso é ou não importante prá eles. Mais do que uma conquista de um grupo, que é minoria nas sociedades mundiais, a medida sueca representa um grande passo em direcão à igualdade de oportunidades e direito de escolha entre seres humanos.
28 outubro 2005
24 outubro 2005
Que frio......
A temperatura está na casa dos -1 e nevou a noite toda. Neste momento o céu está azul e as cores do outono sueco continuam a encantar. É, pelo jeito vou ter que botar prá fora os casacões de inverno!!! Tá um gelo por aqui!
Na noite passada, tivemos que abastecer a lareira com muita lenha e o Jonas, o sabichão, resolveu que colocaria madeiras pintadas dentro da lareira. Sim, quando chega essa época, a lareira passa a ser o brinquedo favorito dele, pega tudo que não presta e quer botar fogo.
Bom, como eu sei que madeira pintada na lareira provoca mal cheiro na casa inteira (até rimou), disse que não era prá colocar, pois fizemos o ano passado e não deu certo. Pois bem, ele disse que não tinha problema, que faria diferente...o resultado foi que mais ou menos umas 11 da noite, hora em que fomos dormir, senti um cheiro muito forte de queimado!!! Abrimos a porta do quarto e a casa inteira estava cheirando queimado. Esse Jonas...
Enfim, a tendência é o tempo esfriar cada vez mais, o Jonas enfiar cada vez mais lixo na lareira e a família Ekström passar mais noites em claro :-)
Na noite passada, tivemos que abastecer a lareira com muita lenha e o Jonas, o sabichão, resolveu que colocaria madeiras pintadas dentro da lareira. Sim, quando chega essa época, a lareira passa a ser o brinquedo favorito dele, pega tudo que não presta e quer botar fogo.
Bom, como eu sei que madeira pintada na lareira provoca mal cheiro na casa inteira (até rimou), disse que não era prá colocar, pois fizemos o ano passado e não deu certo. Pois bem, ele disse que não tinha problema, que faria diferente...o resultado foi que mais ou menos umas 11 da noite, hora em que fomos dormir, senti um cheiro muito forte de queimado!!! Abrimos a porta do quarto e a casa inteira estava cheirando queimado. Esse Jonas...
Enfim, a tendência é o tempo esfriar cada vez mais, o Jonas enfiar cada vez mais lixo na lareira e a família Ekström passar mais noites em claro :-)
20 outubro 2005
A morte faz parte da vida...e isso me incomoda!

Nós somos feitos para viver, crescer, aproveitar a vida e morrer! Tenho medo da morte, da perda. Ontem fiquei sabendo que o meu tio favorito, praticamente um pai prá mim, foi internado e está na UTI, em estado grave. Ele é do tipo de pessoa que está sempre alerta, alegre, elétrico. Ele já tem 86 anos e nessa idade até um resfriado pode significar coisa séria. E foi o que aconteceu!
Há uns dez dias ele pegou um resfriado, que se desenvolveu, e virou pneumonia. E desde então, parece que outras fragilidades, inclusive emocionais, tomaram conta dele. Comecou a se sentir depressivo, pensar nos acontecimentos do passado, nos arrependimentos, tristezas.
Vivia sozinho, nunca teve filhos, ou teve, mas nunca os encontrou. Na verdade, ele encontrou em mim uma maneira de ser pai, pois sempre me tratou como filha.
Amou a vida inteira a mesma mulher, minha tia. Um amor confuso, impávido, eterno…que se fortaleceu ainda mais após ela ter falecido. O amor mais bonito que eu já vi na vida!
Da última vez que nos vimos, em dezembro passado, ela estava como sempre: alerta, alegre, elétrico. Fazia questão de caminhar todos os dias, pegar metrô, dar uma volta no centro de São Paulo, com parada para um cafézinho. Fazia feira toda terca-feira, adorava o futebol do Palmeiras, time paulista.
Sempre gostou de corrida de cavalos, sempre trabalhou no Jockey Club de São Paulo, sempre tinha uma lista com um monte de nomes de cavalos que, esperancosamente, me mostrava e pedia para eu escolher o nome que eu quisésse, antes mesmo de eu aprender a ler.
A gente sempre acha que as pessoas boas são prá sempre, mesmo sabendo que é um erro, uma fraqueza, uma ignorância.
Só tenho memórias positivas da nossa convivência…ele sempre me fez acreditar em Papai Noel! Por que? Porque o meu Pai Noel sempre foi ele. Porque foi ele quem sempre me deu as bonecas mais bonitas, que ainda existem, guardadas na parte direita do armário da sala do apartamento do meu Papai Noel…
A gente sabe que Deus quer ao lado dele as pessoas mais caras, mais raras e de coracão mais bonito. Se Deus quiser levar prá ele o meu segundo pai, vou ficar triste, já estou triste. Rezo para que o melhor aconteca...
12 outubro 2005
Tensta

Tensta é um bairro localizado nos subúrbios de Estocolmo, aonde vivem muitos estrangeiros e aonde se fala centenas de línguas. Sempre ouvi comentários do tipo: “ Em Tensta só moram estrangeiros, sueco nenhum se arrisca a morar lá” “ Os estupros e outros crimes que acontecem em Estocolmo, têm origem em Rynkebi ou en Tensta”, enfim.
Outro dia vi um documentário na TV mostrando a cara de Tensta e de seus moradores. Achei o documentário bastante intressante, pois ao invés de mostrar as dificuldades e asperezas que certamente existem na vida suburbana do bairro, o documentário ”Sete sofás em Tensta”, mostrou como é a vida das pessoas que moram lá, dos personagens do de Tensta. Quando o programa comecou, pensei que ouviria relatos de estrangeiros que moram lá, e apenas de estrangeiros. Mas eles também mostraram histórias de moradores suecos. Além de uma família libanesa, uma família síria e três famílias africanas.
Os relatos da senhora sueca e das famílias africanas foram os que mais me chamaram a atencão. O apartamento de uma das famílias africanas era impressionante, parecia uma selva. Uma decoracão com motivos africanos – tigres, leões, elefantes, máscaras, figuras de guerreiros -, tendo o marrom como cor predominante. Tudo muito diferente e exótico!

Binto,do Gâmbia, na foto ao lado, disse que a decoracão do apartamento foi toda inspirada na África para que ela realmente pudésse se sentir em casa. Ela relatou também que sempre que está deprimida, compra presentes e objetos prá casa. Boa terapia,né?
Numa outra família africana, a moradora disse que às vezes, precisava ir à casa da vizinha para ver como um apartamento deveria ser, o que seria necessário ter nele para que se parecesse com um apartamento, já que ela sempre morou em habitacões primitivas na África.
Ingrid
Uma das personagens do programa era Ingrid, uma senhora sueca, aposentada, que morava sozinha. Há mais de 7 anos em Tensta, sentia-se bem em olhar para as árvores que tem em frente ao prédio e feliz por ter um apartamento bem iluminado pela luz do Sol.

Dentre muitas histórias, Ingrid relatou que uma vez ficou doente e teria que ficar hospitalizada por quatro meses. Quando recebeu a visita de sua vizinha, Zenab, da Somália, disse que estava triste no hospital e que não queria permanecer internada. A vizinha disse que não tinha problema, que ela e sua família a buscariam no hospital e tomariam conta dela em casa. Foi o que aconteceu. Zenab tomou conta de Ingrid durante quatro meses, fator que fez com que a amizade das duas crescesse ainda mais.
Zeinab conta que apesar de ter amigos da Somália morando na vizinhanca, Ingrid foi a pessoa de quem ela até hoje conseguiu chegar mais perto e ter uma verdadeira amizade.
Após ter vindo morar na Suécia, sinto que essa solidariedade da qual muitos povos compartilham, não me parece muito comum por aqui. Os vizinhos não se ajudam de maneira frequente. É essa a impressão que tenho!
Mas como disse Ingrid no documentário:“ usar o tempo que você tem extra ou diminuir algumas de suas atividades e ajudar a um amigo que precisa, vizinho ou não, pode fazer muito bem prá alma.”
Fotos: SVT
07 outubro 2005
Mil coisas
Como sempre, estou enrolada nos estudos, tentando terminar umas atividades do meu curso de sueco e o curso inteiro de uma vez. Pelo menos até o próximo chegar, se eu tiver paciência…
Na próxima semana tenho duas provas, ainda tenho que preparar a aula dos alunos de português, pensar num bom assunto para fazer um seminário em sueco, dentre outras cositas. Ah, sem falar que trabalho no sábado à noite. Nossa, preciso desacelerar, não acham?
E tem sempre zilhões de atividades domésticas chatíssimas para fazer. Nós dividimos todo o trabalho doméstico, mas ultimamente, sinto que estou meio em falta com a minha parte por conta das minhas 1001 atividades. Mas é isso, a gente tem que priorizar certas coisas. Falando nisso, tá difícil até de ligar para os amigos e tal. Mas vou dar um jeitinho..
Ontem por exemplo, resolvi dar um tempo nos estudos e ir prá casa da minha sogra. O Jonas teria que cortar muita lenha, já que o inverno está chegando e precisamos aquecer a casa, então, decidi ir com ele na minha sogra, anode o trabalho seria feito. Ela e eu tinhamos combinado que ela consertaria um blazer prá mim, pois cá entre nós, não costuro nadinha e nem tenho máquina. Ela é ótima, costura que é uma maravilha! Bom, sempre que vou lá, acabo voltando com verduras frescas e flores que colho na horta. É uma delícia poder desfrutar desses pequenos prazeres.
Na próxima semana tenho duas provas, ainda tenho que preparar a aula dos alunos de português, pensar num bom assunto para fazer um seminário em sueco, dentre outras cositas. Ah, sem falar que trabalho no sábado à noite. Nossa, preciso desacelerar, não acham?
E tem sempre zilhões de atividades domésticas chatíssimas para fazer. Nós dividimos todo o trabalho doméstico, mas ultimamente, sinto que estou meio em falta com a minha parte por conta das minhas 1001 atividades. Mas é isso, a gente tem que priorizar certas coisas. Falando nisso, tá difícil até de ligar para os amigos e tal. Mas vou dar um jeitinho..
Ontem por exemplo, resolvi dar um tempo nos estudos e ir prá casa da minha sogra. O Jonas teria que cortar muita lenha, já que o inverno está chegando e precisamos aquecer a casa, então, decidi ir com ele na minha sogra, anode o trabalho seria feito. Ela e eu tinhamos combinado que ela consertaria um blazer prá mim, pois cá entre nós, não costuro nadinha e nem tenho máquina. Ela é ótima, costura que é uma maravilha! Bom, sempre que vou lá, acabo voltando com verduras frescas e flores que colho na horta. É uma delícia poder desfrutar desses pequenos prazeres.
30 setembro 2005
De volta...

Eram três e meia da madrugada quando comecei a escrever esse post. Estava com insônia, então, já que conseguimos consertar o computador, resolvi trabalhar em algumas coisas e atualizar o blog.
Os dias têm sido bastante corridos…não, não estou reclamando: estou cansada e satisfeita!
A razão do cansaco são os meus quatro cursos e os meus dois empregos: um no teatro da cidade e o outro numa escola.
Em São Paulo, jamais teria conseguido fazer tantas coisas ao mesmo tempo! O trânsito e a distância entre os lugares impossibilitariam a viabilidade de tudo isso.
Os dois empregos são no período noturno e os cursos, no diurno. Mas não trabalho todos os dias. No teatro, sou responsável por dar as boas vindas ao público, pegar os bilhetes, falar sobre as pecas, dentre outras atividades. E uma das “exigências” do chefe é que o pessoal que trabalha lá, não somente como hostess, tem que se manter informado sobre as pecas: assistí-las para poder recomendá-las. Dessa parte eu gostei muito…adoro teatro!E cultura custa uma nota nesse país, de modo que ter acesso à eventos culturais, gratuitamente, é tudo de bom!
Bom, o outro trabalho é numa escola de idiomas, ensinando português para suecos. Logo quando cheguei aqui, me cadastrei em algumas escolas, mas na época, já tinham professores e não precisavam de mais ninguém. Mas dessa vez me ligaram e eu aceitei o desafio!
Nunca dei aula, mas por ser jornalista, a escola achou que poderia ser intressante para os alunos e prá mim também. Por enquanto estou gostando, pois a escola me dá a liberdade de preparar as aulas da forma que eu julgar melhor. Seguimos também um livro. Na primeira aula que tivemos, saí de lá exausta e satisfeitíssima! Os alunos também me pareceram bem animados.
Vamos ver no que dá! Enquanto isso, aproveito a experiência, descubro coisas novas e encaro novos desafios! O negócio é expandir os horizontes e apostar em novas atividades que podem nos fazer crescer e aprender mais e mais!
*Imagem: L´Absinthe, Picasso
26 setembro 2005
Computadores: argh
Bom, parece que o nosso computador foi para o brejo...mesmo assim, vou tentar postar da escola!
Boas energias a todos!
Cacau
Boas energias a todos!
Cacau
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